A importância de fazer o Exame de Papanicolaou

Atualizado: 15 de jul. de 2021

Pra bom não serve! Ninguém acorda de manhã pensando: que dia lindo para ir na minha ginecologista fazer um Papanicolaou.


É desconfortável. Pode ser um pouco embaraçoso. Mas não dói.


Quem é minha paciente já ouviu essas frases da minha boca.


O teste de Papanicolaou é um dos procedimentos preventivos mais importantes que você pode fazer para sua saúde. Esse exame pode salvar a sua vida!


Todas nós sabemos que deveríamos fazer o Papanicolaou regularmente, mas você realmente sabe o porquê?

O que é um esfregaço de Papanicolaou ou exame citopatológico do colo do útero?

O esfregaço de Papanicolaou é um teste que procura alterações nas células do colo do útero. As células são coletadas inserindo-se um espéculo na vagina, permitindo que o colo do útero seja examinado. O médico irá então coletar as células usando uma escovinha de colo do útero e uma espátula. Depois que as células são coletadas, elas são colocadas em uma lâmina e esta é enviada para ser examinada ao microscópio para verificar possíveis anormalidades. Essas anormalidades podem ser inflamatórias, pré-cancerígenas ou cancerígenas.


O rastreamento do câncer do colo do útero se baseia na história natural da doença e no reconhecimento de que o câncer invasivo evolui a partir de lesões precursoras (lesões intraepiteliais escamosas de alto grau e adenocarcinoma in situ), que podem ser detectadas e tratadas adequadamente, impedindo a progressão para o câncer.

Quando você deve fazer um teste de Papanicolaou?

O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil com o exame de Papanicolaou deve ser oferecido às mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual.


A priorização desta faixa etária como a população-alvo justifica-se por ser a de maior ocorrência das lesões de alto grau, passíveis de serem tratadas efetivamente para não evoluírem para o câncer. Segundo a OMS, a incidência deste câncer aumenta nas mulheres entre 30 e 39 anos de idade e atinge seu pico na quinta ou sexta décadas de vida. Antes dos 25 anos prevalecem as infecções por HPV e as lesões de baixo grau, que regredirão espontaneamente na maioria dos casos e, portanto, podem ser apenas acompanhadas conforme recomendações clínicas. Após os 65 anos, por outro lado, se a mulher tiver feito os exames preventivos regularmente, com resultados normais, o risco de desenvolvimento do câncer cervical é reduzido dada a sua lenta evolução.


A rotina recomendada para o rastreamento no Brasil é a repetição do exame Papanicolaou a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano.

A repetição em um ano após o primeiro teste tem como objetivo reduzir a possibilidade de um resultado falso-negativo na primeira rodada do rastreamento. A periodicidade de três anos tem como base a recomendação da OMS e as diretrizes da maioria dos países com programa de rastreamento organizado. Tais diretrizes justificam-se pela ausência de evidências de que o rastreamento anual seja significativamente mais efetivo do que se realizado em intervalo de três anos.


O rastreamento de mulheres portadoras do vírus HIV ou imunodeprimidas constitui uma situação especial, pois, em função da defesa imunológica reduzida e, consequentemente, da maior vulnerabilidade para as lesões precursoras do câncer do colo do útero, o exame deve ser realizado logo após o início da atividade sexual, com periodicidade anual após dois exames normais consecutivos realizados com intervalo semestral. Por outro lado, não devem ser incluídas no rastreamento mulheres sem história de atividade sexual ou submetidas a histerectomia total por outras razões que não o câncer do colo do útero.


Dependendo do tipo de células anormais encontradas, seu médico pode recomendar testes mais frequentes. Em alguns casos, eles podem recomendar a colposcopia, onde é possível fazer uma biópsia do colo do útero ou da vagina.


Em alguns casos, as alterações celulares também podem ser causadas por certos tipos de HPV. Muitas vezes, essas alterações celulares desaparecem por conta própria, mas certas cepas de HPV têm sido associadas ao câncer cervical. É mais provável que ocorram alterações nas células cervicais se você tiver relações sexuais desprotegidas com vários parceiros, aumentando a probabilidade de contrair HPV. Depois que todos os testes forem concluídos e avaliados, é importante estabelecer um plano de tratamento e um curso de ação com seu médico.


É importante destacar que a priorização de uma faixa etária não significa a impossibilidade da oferta do exame para as mulheres mais jovens ou mais velhas. Na prática assistencial, a anamnese bem realizada e a escuta atenta para reconhecimento dos fatores de risco envolvidos e do histórico assistencial da mulher são fundamentais para a indicação do exame de rastreamento.


E você, está com seu exame preventivo em dia?

Fonte: Site INCA. A importância de fazer o exame Papanicolau. Disponível em: www.inca.gov.br

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